Hipnose funciona?

A ciência já admitiu que a hipnose não é truque de mágica e nem uma capacidade extraordinária de algumas pessoas em sugestionar os outros. É um fenômeno neurológico que pode alterar o estado normal das pessoas. Mas, como ela funciona de verdade? E será que pode ser usada para controlar a mente de outras pessoas?

Podemos dizer que a hipnose começou no século 18, quando o médico alemão Franz Anton Mesmer defendeu a tese de que o corpo humano possuía fluídos magnéticos que, quando desequilibrados, tinham que ser corrigidos para que o paciente não ficasse doente.

O tratamento de Mesmer consistia em olhar diretamente nos olhos do paciente e pedir que este se concentrasse ou tocar em seus braços e mãos – técnicas similares às da hipnose moderna.

Mesmo com sua teoria de fluídos magnéticos sendo claramente uma bobagem sem fundamento, Mesmer ficou famoso por sua capacidade de “mesmerizar” as pessoas, sendo alvo de estudos de gente como Lavoisier e Benjamin Franklin.

A conclusão foi a de que Mesmer era um charlatão, mas a hipnose (termo baseado na deusa grega do sono, Hypnos) passou a ser proibida, só ganhando destaque científico com os trabalhos de James Braid, Charcot e até o russo Pavlov, aquele mesmo dos cachorrinhos…

Para ser aceita pela ciência, entretanto, a hipnose levou muito mais tempo. Mais precisamente quando o psiquiatra americano Henry Szechtman fez uma experiência com 8 voluntários, em 1997.

Eles foram vendados e ouviram uma gravação que repetia a seguinte frase: “O homem não fala muito. Mas, quando ele fala, vale a pena ouvir o que diz”. Szechtman desligou o som e pediu aos voluntários que tentassem imaginar a frase. Em seguida, hipnotizou todo mundo e disse que iria tocar a fita novamente.
Era mentira; não havia som nenhum.

Mesmo assim, os voluntários disseram ter ouvido a gravação – eles sofreram uma alucinação auditiva por causa da hipnose. Monitorando o cérebro dos voluntários, o cientista descobriu o seguinte: durante a alucinação, e quando a gravação estava tocando de verdade, a atividade do cérebro era idêntica.

Já quando as pessoas apenas imaginavam o som, a atividade era diferente. Outros estudos comprovaram esse efeito e permitiram chegar a uma conclusão definitiva: a hipnose existe, não é fingimento e tem um efeito característico sobre o cérebro – é uma simulação perfeita da realidade, muito mais forte que a imaginação ou a autossugestão.

Uma pessoa hipnotizada pode literalmente ver, ouvir e sentir o que é sugerido pelo hipnotizador. A pessoa não fica dormindo. Fica acordada, consciente e sabendo que está sendo hipnotizada. A diferença é que, como o neocórtex é privado das informações fornecidas pelo sistema límbico (que além de processar a dor também controla a memória e reações como desconfiança, vergonha, medo, fome, iniciativa, prazer e desejo sexual), a consciência fica sem reservas nem referências – e, por isso, totalmente vulnerável às sugestões do hipnotizador.

Mas, obviamente, não serve para transformar pessoas em animais ou para truques de salão. Há estudos comprovando que a hipnose é eficaz contra o tabagismo, a ansiedade, a depressão e outros transtornos psíquicos.

Pesquisas recentes também constataram, de maneira surpreendente, efeitos fisiológicos da hipnose: há indícios de que possa ajudar no tratamento de hipertensão e de problemas gastrointestinais e no sistema imunológico. Tudo isso depende, claro, do seu grau de sensibilidade.

Mas, que a hipnose pode ser uma forma eficaz de terapia, quase mais ninguém duvida.